15/02/2012 às 11:02 Paulista

Um negócio da China

O Fundador e Acionista Controlador do Grupo Ser Educacional, Janguiê Diniz, comenta sobre o consumismo de produtos da China.


Quem nunca comprou ou pensou em comprar um produto chinês, que atire a primeira pedra. Não é preciso circular muito para perceber que, nos últimos anos, o que se vê no Brasil é uma invasão de lojas e produtos chineses. São celulares, televisores, louças, guarda-chuvas, pneus, relógios, brinquedos… A lista dos produtos “Made in China” é enorme.

 

O maior atrativo dos produtos chineses está no preço, mais barato e competitivo do que os de produção nacional. Fato este, que se deve ao enorme número de trabalhadores chineses  e a mão de obra barata. Além disso, temos a diferença de custos de produção, carga tributária muito menor que a brasileira e a valorização do real diante da desvalorização do yuan (moeda chinesa) tornando a concorrência quase impossível.

 

Junte-se a todos esses fatores a entrada ilegal de produtos chineses no país.  Uma das formas de driblar o pagamento de taxas antidumping (termo usado no comércio mundial para quando uma empresa vende seus produtos por um preço abaixo do mínimo de mercado, o que é considerado ilegal pela Organização Mundial do Comércio, OMC) é produzir na China e declarar que produz em Taiwan, na Indonésia ou no Vietnã.

 

Nos últimos anos, a invasão dos produtos chineses tem provocado o fechamento de várias indústrias brasileiras, acarretando também a diminuição dos postos de trabalho em todo o país. Um exemplo é que das 40 fabricantes de escovas que atuavam no mercado há uma década, apenas duas continuam na ativa.

 

Ampliando o quadro de análise, registres-se que segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), entre 2005 e 2009, o Brasil deixou de exportar mais de US$ 2,5 bilhões para os países da América Latina por causa da concorrência com a China. Entre as maiores perdas estão o mercado de químicos, de informática, de telecomunicações e máquinas e equipamentos.

 

Diante desse quadro, qual seria a melhor forma de combater a invasão dos produtos chineses? Apenas aumentar o Imposto sobre Produto Importado (IPI) não é suficiente. É preciso rever as condições do produtor nacional para termos competitividade. Melhorar as condições de produção, reduzindo carga tributária, diminuindo o custo do trabalho e da produção e melhorando a infraestrutura são apenas pontos iniciais. Também é preciso intensificar a fiscalização nas fronteiras e pensar em uma forma de regular um padrão mínimo de qualidade nos produtos importados.

 

Por fim, registramos que é necessário  ter a consciência que a cada produto importado que compramos, estamos deixando de gerar vagas de emprego no Brasil,   gerando a vaga no exterior. E que isso reduz o crescimento econômico do país.

Comentários (2 comentário(s) efetuado(s))

  • 21/02/2012 às 12:57 - Tancredo Ferraz Muito boa a análise da influência da China na economia brasileira, e, em especial na manutenção, extinção ou expansão dos postos de trabalho para nós no Brasil, dependendo de nossas escolhas dos produtos (chineses ou brasileiros)que compraremos.
  • 22/02/2012 às 11:28 - hugo os produtos chineses apesar de serem de baixo custo, nao possui uma manutenção adequada, fazendo que ele seja descartável, ja o produto brasileiro apesar de seus encargos é o mais viavel a se adquirir pois alem de ser seguro tem giro econômico no Brasil

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