As celebrações pelo centenário da morte de Joaquim Nabuco terão início no Rio de Janeiro. Por iniciativa da Academia Brasileira de Letras e do seu presidente, Marcos Vilaça, neste domingo, 17 de janeiro, será celebrada uma missa solene na Igreja da Candelária, na presença do Ministro Fernando Hadad, de ministros de Estado, do Presidente da Fundaj, Fernando Lyra, do senador Marco Maciel autor do projeto de Lei que instituiu o Ano Nacional Joaquim Nabuco, da família Nabuco e convidados. Do Recife, seguirão os deputados Guilherme Uchoa, presidente da Assembléia Legislativa, Augusto Coutinho, João Fernando Coutinho e Raimundo Pimentel, além do Cônsul dos Estados Unidos no Recife, Christopher Del Corso, Leda Alves, presidente da Cepe, este articulista e Lucila Bezerra, da Fundaj, e a diretora do Museu do Estado, Margot Monteiro. No dia seguinte, o chanceler Celso Amorim pronunciará uma conferência na Academia Brasileira de Letras, inaugurando o "Ano Nacional Joaquim Nabuco".
Na história do Brasil, nenhum brasileiro recebeu maiores honras fúnebres. Ao falecer, em 17 de janeiro de 1910, em Washington, no cargo de embaixador do Brasil, os Estados Unidos concederam, pela primeira vez em sua história, um funeral com honras de Estado a um estrangeiro (Galvão, 1914) O presidente William Taft, o ministério, autoridades civis, militares e diplomáticas compareceram à missa de réquiem. O ataúde de Nabuco foi colocado, provisoriamente, na capela do cemitério Oak Hill da capital americana. Semanas mais tarde, o navio da Marinha Americana, North Carolina, conduziu os seus restos mortais ao Brasil, acompanhado pelo navio Carlos Gomes.
Nos primeiros meses de 1910, o Rio de Janeiro se preparou para as cerimônias em honra a Nabuco. O desembarque do esquife no Cais Pharoux foi uma das maiores manifestações populares da história daquela cidade. Uma multidão acompanhou o caixão de Nabuco ao Palácio Monroe, sede do Senado Federal. A sessão solene em homenagem a Nabuco, no Teatro Municipal, teve uma maciça presença de pernambucanos. Carlos Porto Carrero foi o único orador. A partida do féretro se constituiu em um momento de insuperável emoção. Quando os velhos abolicionistas ergueram os seus estandartes e a Banda Musical do Corpo de Bombeiro executou a música de abertura da ópera O Guarany, de Carlos Gomes, um chuva fina desceu sobre a cidade e a multidão se comoveu ao extremo.
No dia 17 de abril de 1910, o corpo de Joaquim Nabuco retornava ao Recife. No cais da Lingüeta, o desembarque, a guarda de honra, o governo, milhares de pernambucanos. Representantes de todas as instituições do Estado, os líderes e os apoiadores da Campanha Abolicionistas. A missa fúnebre na igreja do Espírito Santo antecedeu uma vigília. No final da tarde, dezenas de carruagens, bandas militares, o povo, as associações religiosas, autoridades conduziram o caixão de Nabuco para o cemitério de Santo Amaro, no Recife. Quando o corpo baixou à sepultura, ouviram-se as salvas de tiros da guarda de honra, o estrondear dos canhões e o repicar dos sinos. Sobre o Recife, declinava o sol e as nuvens, "caravelas de fogo", já recobriram os céus pernambucanos.
Aos 10 de novembro de 1914, o belíssimo mausoléu, que necessita ser, para as celebrações, restaurado pela Prefeitura do Recife e declarado Monumento Nacional, foi concluído. Em 28 de setembro de 1915, a estátua de Joaquim Nabuco no centro do Recife foi entregue ao público.