Uma saída de ônibus nunca é igual à outra, sempre há pequenas partículas de vida que passam despercebidas. Às vezes notamos algo, mesmo que por frações de segundos, mesmo que nossos olhos não foquem o alvo, no entanto nossa mente nunca deixa de ver o que se esconde por cada calçada, faixa de pedestre, vida que passa.
Nas paradas da vida - é o que se torna esse não lugar - ficamos por horas esperando a grande arca metálica, vemos de tudo; do garoto bêbado de cola, a mulher suja com um bebê nos braços, o velho que pede esmolas para fazer uma refeição indigna ao homem de terno sempre preocupado.
Talvez se mais políticos andassem nessas latas de sardinha humana, menos crianças matariam seu futuro (nosso futuro), menos mulheres utilizariam a inocência de seus filhos para sobreviverem e menos idosos mendigariam por uma vida menos amarga.