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Patrimônio exemplar

Patrimônio exemplar
Editorial do jornal Diario de Pernambuco do dia 10.05.2010.

A exposição que tem por tema a vida e a obra de Joaquim Nabuco encontra-se já instalada no Recife, dando sequência à série de eventos que assinala, neste 2010, o ano dedicado à memória do grande abolicionista pernambucano, que se celebra, a nível nacional, por iniciativa do Congresso, que aprovou lei nesse sentido, resultante de propositura formulada pelo senador Marco Maciel. A exposição, que se intitula Joaquim Nabuco: brasileiro, cidadão do mundo, e que está aberta a visitações no Instituto Cultural Banco Real, proporciona uma abrangente noção do que representa ele para a história do nosso país, acentuando etapas diversas da vida do notável estadista, cuja obra vem sendo estudada por eminentes pesquisadores, que não medem palavras na maneira como sublinham a ação empreendida por Nabuco contra o sistema escravocrata, ferida que provocou lesões profundas em termos sociais e humanos.

 

Pugnando contra o trabalho escravo, Nabuco defendeu pioneiramente a reforma agrária, para que com esse projeto se completassea obra de demolição da escravatura. "Não separarei mais as duas questões - a da emancipação dos escravos e a da democratização do solo. Uma é o complemento da outra", asseverou num dos seus luminosos pronunciamentos, afirmando que não era suficiente só eliminar o trabalho servil, mas se fazia necessário "destruir a obra da escravidão". São palavras de uma atualidade que surpreende, demonstrando a amplitude do seu pensamento político, enriquecido por uma exuberante visão humanística, que envolve todo o seu legado, construído a partir do princípio que coloca o interesse público acima de qualquer outro objetivo.

 

Ao se observar essa exposição pode se sentir, graças ao que ali se reuniu, o enorme patrimônio moral e político que Nabuco ofereceu à posteridade. É uma lição magnífica que deve sempre inspirar os responsáveis pelos destinos do Brasil, nos dias que correm, marcados por comportamentos que amesquinham o exercício das atividades políticas, comprometendo os interesses coletivos e abalando a confiança do corpo social, que flagra, vez por outra, atitudes degradantes, algumas documentadas cinematograficamente, para espanto de milhares e milhares de telespectadores.

 

Joaquim Nabuco, por uma série de motivos, tornou-se exemplo de como se tem de agir no trato da coisa pública, ao fazer da ética o elemento balizador do seu desempenho político, tratando-se, pois, de um extraordinário paradigma. Personalidade múltipla, foi político, jornalista, diplomata e historiador, destacou-se ainda, no âmbito da literatura brasileira, pelos seus méritos de insuperável memorialista, que se revela nas páginas inesquecíveis de um livro chamado Minha Formação. Tendo sido o primeiro embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nabuco deixou também na diplomacia marcas salientes, ao ponto de Rubens Ricupero afirmar: "Ninguém, aliás, o superou no vigor e originalidade com que apreendeu a realidade internacional em evolução e propôs, dentro das limitações de poder brasileiro da época, uma política exterior adequada à defesa dos interesses nacionais".

 

A afirmativa de Ricupero está gravada no bem elaborado e volumoso catálogo da exposição, onde ele acrescenta: "Homem completo até na beleza e prestança físicas, na perfeição, elegância e encanto com que se distinguia mesmo nas futilidades da vida diplomática, Joaquim Nabuco foi não só cronologicamente o primeiro, mas o maior de todos os nossos embaixadores". Sua imagem vive, dessa forma, na lembrança dos brasileiros refletindo todo um conjunto de valores, que anima a sua densa e instigante biografia, que essa exposição consegue retratar através de um rico acervo, exposto em tão significativo momento na cidade que lhe serviu de berço.

PAULISTA: Av. Senador Salgado Filho S/N - Centro - Paulista/PE - CEP: 53.401-440 - Fone: (81) 2121-5999

RECIFE: Av. Guararapes, 233 - Centro - Recife/PE - Fone: (81) 2121-5999

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